quinta-feira, 9 de março de 2017

Sem rastros

Saira em busca do alto
Que traz contigo o salto
A fuga do assalto
O desvio dos fatos

O alto
Que suplanta a briga
A fadiga, não abriga
Que enjoa da rima

O alto,
Que confina o destrato
E leva aos ventos o grito não dado

O último?

O grito testemunha do adeus. O grito que afasta dos seus.

Vental, tragal, fatal...



Sem rastros...
O alto.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Bêco

Entre muros,
Container de lágrimas e risos
Testemunha da intensidade que passa despercebida aos olho gerais.
O bêco, contendor de história
Armazém de pedras,
De medos,
De planos,
De anseios,
De confissões,
De planos.
O bêco.
Bêco que não é morada, mas é vivência.
Com saídas,
Entre blocos, verdade.
Diante do Céu, que é imensidão.

Isso!

O bêco é imenso.
De dentro para fora,
De fora para dentro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Voltar pra quem?

Se tivesse como, viajaria.
Para pensar,
Sentir,
Me sentir...

Para ver quem eu voltaria,
Como voltaria,
Para que e para quem eu voltaria.

São tantos os seus,
Mas já se perguntou para quem você volta?

Avisa para alguns, alguns te recebem, e a questão é de ver apenas alguns...
Quem faz real falta?

A questão não é fugir de ninguém,
Mas me encontrar

E saber como eu seria além daqui.

sábado, 29 de outubro de 2016

Inexplicâncias

Das coisas inexplicáveis que ocorrem - me refiro agora as positivas - destaco a capacidade maravilhosa que o homem tem de sentir em seu coração a felicidade do outro. Sabe como é? Surreal!
E peço a Deus que me permita, ainda que eu nada mereça, essa sensação engrandecedora de rir com os que riem e por muitas vezes ter a alegria deles multiplicada em mim. 
Sobre a sensação de felicidade no corpo... Paz, bem estar, risos, produções, expectativas, esperança imbuídos de amor... muito amor. Assim prossigamos, mesmo que não seja tudo como esperado, melhor do que merecemos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ser o que quiser

Lindas
De todas as cores,
do claro ao breu
O tom que escolher, será seu.

Da forma que queira,
Do cacho ao liso,
Fazendo a mudança, se achar preciso

domingo, 7 de agosto de 2016

Viva!

Diferente,
Por vezes, irreverente
Na maioria dos dias, disposta
Fã da calmaria e do agito
Quente, torta
Que importa?
Gente fria, é gente morta.
Eu quero é ferver.

sábado, 6 de agosto de 2016

Make nossa (de cada dia?) Para todas!

Hoje vi um vídeo interessantíssimo postado pela querida Rejane Santos, sobre uma moça que fez postagens de suas fotos sem maquiagem em redes sociais e recebeu comentários HORRÍVEIS, NOJENTOS, sem escrúpulos acerca de usa aparência. "Você é nojenta", "Não consigo nem olhar", e coisas dessa espécie que não compensa reproduzir, tamanha negatividade. Isso me fez lembrar dum ocorrido, ano passado, em sala de aula, que resolvi compartilhar com vocês.

Era uma manhã de algum dia da semana, quando comecei a aula em uma das turmas do sétimo ano. Um aluno me parou: 
-Pró, você está bem? 
-Sim, ótima. E você? 
-Também! Você tá diferente, com cara de doente. Nem um batom. Te acho muito bonita, mas gosto de você maquiada. 
-De mim, ou da minha aparência? Você consegue gostar mais de alguém quando ela é aparentemente mais bonita para você? A essência, como ela é por dentro, muda?

[Silêncio...]

-Querido, eu respeito seu ponto de vista, obrigada pela sua opinião, mas eu estou bem. Muito obrigada.

Gente! Naquele momento viajei, a voz dele ecoou como várias vozes porque sei que é o reflexo de uma sociedade do artificial que tem estereótipos mil acerca de como se deva ser, do que é belo, de como se  é  deve ser. Não me chateei com ele, nem vi motivo para isso, mas caí numa reflexão sobre essa questão da estética. O cabelo eu já usava naturalmente a algum tempo, e a maquiagem, sem perceber, estava usando todos os dias. Sim, os cinco dias da semana eu estava na Escola às 7h10m, (às vezes antes, às vezes depois) maquiada. Como eu esperava, então, que os outros me vissem? Resolvi então que passaria uma semana sem usar maquiagem. 

A decisão de não usar maquiagem foi uma resolução sem dor. Porém, como era uma mudança de costume, claro que houve o estranhamento. Aliás um dos meus maiores foi o quão cedo chegava ao trabalho... hahaha! Obviamente, outros perceberam, muitos alunos comentaram sim, porque nossa via de comunicação costuma ser respeitosa e aberta. E os retornos foram muitos engraçados! 
-Fessora cê tá diferente, mas continua bonita!
 -Crendeuspade, pró. Depois que o menino falou aquilo você não vai usar mais nada não, é? Tá muito revoltada. 
-Jaque, você tem um batom matte que se você for jogar fora, eu quero viu? 

Outros comentários foram fortes: 


-A senhora poderia ficar sem maquiagem para sempre, sabia? É linda de qualquer jeito.

-Poxa pró, eu nem falei para te magoar, mas isso te ajudou a pensar, né? (Preciso falar que choquei e gargalhei com essa? Haha! Foi demais!)
-Sabe a professora Fulana, eu acho que ela não consegue fazer isso, não. Você já falou sobre isso com ela?
-As meninas aqui da sala não conseguiriam fazer isso. Algumas chegam a ficar triste se não estiverem pintadas.
-Fessora, se essa moda pega, ia ter um monte de dragão aqui na Escola, de manhã cedo!

Eu não me sentia escrava da vaidade, nem me sinto hoje. Mas usar maquiagem passou a fazer parte da minha rotina e esse despertar foi algo que gostei de sentir. O desafio não foi para eles, mas para mim. O teste não foi de percepção ou uma pesquisa de opinião, mas de até que ponto eu tinha colocado um artifício como relevante para mim, e como foi bom meditar sobre! Joguei fora a maquiagem? Não. Mas hoje elá me é muito mais opcional. às vezes saio sem, se der vontade, ponho, e na maioria das vezes não paro para fazer isso. Percebi melhor minha pele, e fiz uns ajustes na alimentação voltados para a a saúde da minha pele, meu bem-estar e afins...  
Acho divertido hoje, um complemento, e uso no sentido de realçar uma coisa ou outra, nada de fazer uma transformação. Não preciso disso. E cá entre nós, quem precisa? 
Para fechar, fico com o pensamento final do aluno mencionado no início disso tudo:

-Na verdade, você continua sendo você. E eu te acho mais linda ainda, quando você está do jeito que você quer!

Isso serve para mim, isso serve para você, isso serve para qualquer uma todas as pessoas. Porque nenhuma mulher é qualquer. Porque ninguém, é qualquer.



sexta-feira, 29 de abril de 2016

O resgate de Querida


Gente, esse negócio da fluidez da palavra e seus significados é um negócio que dá pano para mangas. Agora, mais especificamente, me refiro a expressão "querida". Já parou para pensar no significado da palavra?

Nem precisa ir muito longe. Nesses mecanismos self service de catarmos na internet o que queremos, parei na primeira opção de significado. E eis que encontro:

Querida significa amada, muito estimada. É uma expressão afetuosa, carinhosa e terna de chamar a pessoa de quem se gosta muito. Dependendo do contexto em que é utilizada, a palavra querida pode ser um adjetivo ou um substantivo.

A palavra chuchu, que na sua acepção própria é um legume comestível, usado em saladas e sopas, é muitas vezes usada no sentido figurado, para designar uma pessoa querida.

http://www.significados.com.br/querida/

Percebe? Aí terei que chamar o povo de "Chuchu"? Pelo amor de Deus! 
Não sejamos radicais, o que determina se a pessoa lhe chama ironicamente de um termo qualquer, não é a palavra em si que determina. Mas o contexto, a entonação, a expressão corporal, a pontuação... Tanta coisa, que pelo amor de Deus... Ser querido é algo tão agradável, que merece um resgate. Não me apetece, viu? Pode chamar de querida, que eu gosto. E se eu te chamar assim, na moral, não se afete: é afeto.

Beijos, Queridos.