terça-feira, 29 de agosto de 2017

Mar da Dor

Mar da Dor, 
Entre Mar Grande e Salvador.

A garganta desde ontem é um nó. 
O coração, o grande mar,
Um só.

Não é piedade...
Compaixão? Não sei... 
Sei que hoje, injustamente,
Os devolvidos sobre o mar, 
Vão ao pó.

Três dias de luto... Só?
Oh, meu povo 
A dor é bem maior.
Sem prazo,
Um estrago...

Dói... 
Se tinha lá dos meus? 
Sim
Sobreviveu? 
Sim. Sobreviveu.
Só não diria que os que se foram são menos meus.
Irmãos, 
De sangue, cultura, humanidade e criação.
E se foram no mar,
Um só coração

Só não me diz que foi acidente.
Por favor... 
Isso não.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Sem rastros

Saira em busca do alto
Que traz contigo o salto
A fuga do assalto
O desvio dos fatos

O alto
Que suplanta a briga
A fadiga, não abriga
Que enjoa da rima

O alto,
Que confina o destrato
E leva aos ventos o grito não dado

O último?

O grito testemunha do adeus. O grito que afasta dos seus.

Vental, tragal, fatal...



Sem rastros...
O alto.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Bêco

Entre muros,
Container de lágrimas e risos
Testemunha da intensidade que passa despercebida aos olho gerais.
O bêco, contendor de história
Armazém de pedras,
De medos,
De planos,
De anseios,
De confissões,
De planos.
O bêco.
Bêco que não é morada, mas é vivência.
Com saídas,
Entre blocos, verdade.
Diante do Céu, que é imensidão.

Isso!

O bêco é imenso.
De dentro para fora,
De fora para dentro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Voltar pra quem?

Se tivesse como, viajaria.
Para pensar,
Sentir,
Me sentir...

Para ver quem eu voltaria,
Como voltaria,
Para que e para quem eu voltaria.

São tantos os seus,
Mas já se perguntou para quem você volta?

Avisa para alguns, alguns te recebem, e a questão é de ver apenas alguns...
Quem faz real falta?

A questão não é fugir de ninguém,
Mas me encontrar

E saber como eu seria além daqui.