quinta-feira, 4 de julho de 2013

Feliz?

Feliz é quem consegue apesar de dores, desafios e desapontamentos, sorrir (com o coração).
Feliz é quem consegue após um dia estressante, com direito a cansaços e engarrafamento reconhecer a beleza dum olhar de uma criança que ficou o dia na expectativa de sua chegada e entende que esta não tem nada a ver com o seu dia ruim, e aceita com afeição seu abraço caloroso de recepção.
Feliz é quem consegue mesmo magoado, não ser ríspido com quem lhe magoou. ( E raro...)
Feliz é quem apesar de toda uma onda de modernismo supérfluo é cônscio de sua necessidade espiritual.
Feliz é quem se ama, e não outorga a ninguém poder sobre a chave de sua felicidade e amor próprio.

Atenciosamente,
Alguém que observa a felicidade alheia por aí, sem muita propriedade para falar sobre tal, mas ousa...

Porque não sois atemporal...


"Em pouco tempo não serás mais o que és..."
Cartola

domingo, 9 de junho de 2013

Eternimar...


"Dá vontade de ficar
 Num lugar que é tão perto do mar
 Dá vontade de ficar,
 de morar, demorar vendo o mar..."

Crombie

sexta-feira, 7 de junho de 2013

"Conhece-te a ti mesmo" - Sócrates


Conhecer a si mesmo é um processo desafiador e contínuo. Afinal, o homem está sempre em mudança, e tomar conhecimento do mutável e suas variantes não é tarefa fácil. Logo, o homem não tem capacidade de conhecer-se de forma plena. Um ponto fundamental e muitas vezes doloroso nesse processo é o abrir os olhos para o que há de essência dentro, e admitir suas falhas, idiossincrasias, desejos incontáveis. Por mais que se esforce em ser um bom funcionário, pague honestamente suas dívidas, faça preces diárias e doações a instituições de caridades e bambambam, em seu cantinho íntimo, desnudado, em frente ao espelho, encarando a si mesmo, o que enxerga? Quem enxerga? Como se sente com quem é você, hoje? A pessoa que era há aproximadamente 3 anos atrás, se orgulharia de quem é hoje?
Mutantes. Errantes. Andantes. Enfim, humanos.
Não raro em meio a tentativa de saber quem se é, ocorre o não mais reconhecer-se, e como isso pode ser assustador! Coisas que embora não jurasse, tinha como sagrado praticar. Outras que jurou a si mesmo nunca fazer. E aquelas que imaginou que um dia as coisas pudessem chegar a tal ponto e num momento inesperado, elas chegam? Rs... Arrebatam, dão rasteiras...
Em meio a todas esse desconforto necessário, esse tipo de tsunami mental, percebe-se aquelas coisas que talvez nem soubéssemos onde se encontravam, e as ondas levam algumas, enquanto outras deixam expostas, destroçadas. E agora? Que fazer como que resta?
O que fazer do que restou? Decerto, haverá muito o que descartar. Porém, há de ter o que renovar. Ainda que escape aos olhos. Nem que seja interno, as forças, a paz interior. Aí sim, depois disso, talvez consiga discernir os descartáveis dos restauráveis. Sábia decisão...
Palavras, palavras, palavras...
E só falar não dá conta do que deve ser feito... e só saber o que deve ser feito também não dá conta. E será que sozinhos damos conta do que deve ser feito?
Pensares, pensares, pensares...
E se falta forças, e se some o chão, e há o choro, o sofrer, a insegurança o cansaço, a desolação, a doença?
Ore, ore, ore... Ore muito! E nunca subestime o poder de uma oração. Jeová Deus dá ouvido às suas declarações, entende seu suspiro e presta atenção ao seu clamor por ajuda. (Salmos 51:1,2).
Você pode até não se conhecer de forma plena, mas Deus, o Criador e Ouvinte de oração, sim. (Salmos 139: 1,2, 23, 24)

Salvador, 06 de junho de 2013.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Muda Cenário. Plateia muda.


Todos saíram do auditório e eu permaneci. Resolvi ficar. Quis ver a preparação do novo cenário. Sentei em uma das cadeiras, sem mais ninguém na plateia agora.
Ali, eu. Em frente, o palco. O cenário: em desconstrução. Ao mesmo tempo que desmontado, outro em  construção simultânea.
Não podia ajudar. Sentada, apenas indicava as posições em que as coisas talvez ficassem melhores.
-Garota! Pxiiiiiiiiiiiiii! Disse um voz vinda do palco.

Calo. Não mais opino sobre as ordens das coisas que acontece diante dos meus olhos. Talvez a próxima ordem seja de saída... Muda o cenário, e a plateia, muda.

A voz do ponto


O "." retou!
Cansou de ser posto abaixo d'outro por explicação ou nova pronuncia :
Cansou de ser posto atrás doutro's por falta de palavras, por omissão ou perpetuar...
O "." cansou de ser posto abaixo duma verticalidade para força expressar!
O "." só queria ser ".", ora bolas!
Final. Se preciso, morto. Mas que fosse ponto.

sábado, 25 de maio de 2013

Crônica- Morna pra ser Moderna


Ontem o dia foi cheio... Como num conto: Contido do presente e do ausente. Do explícito e do oculto. 
Uma oficina de conto com o escritor Mayrant Gallo, que fomentou ideias sensacionais, e despertou um desejo enorme de escrever mais uma crônica... Sobre o que? Pensei em escrever sobre a relação entre amor, paciencia e respeito(até então, tema do meu dia); mas o lirismo me pegava pela mão e quando eu pensava em escrever até o final da linha, ela quebrava e iniciava outra. Fez-se poema, minha prosa. Não rascunhei em papel, nem digitei. Mas a ânsia persistia em soprar em meu ouvido: "Escreve, moça... Vai te fazer bem. Pode fazer bema alguém".
Passado engarrafamento Cabula-Retiro-Sete portas-Baixa dos Sapateiros.
Cenário: Pelourinho. Companhia: O Céu. Um desejo: Ligar. O feito: Esperar.Enquanto esperava as ideias fervilhavam e causavam convulsão por dentro. O que escrever?
De repente, começou a chover... Caiam pingos de expectativas, drama, ansiedade, preocupação, riso, lágrima, saudade... Pingavam sobre o papel, e sem que eu esperasse, lá estava a crônica, sobre a folha em branco. Crônica de pingos...
Dobrei a folha não mais virgem. Agora, pingada, cronicada, e segui. 
Subi a ladeira do Pelô... Pensei em escrever sobra as pessoas, o colorido, os moradores, o paralelepípedo e como isso me excitou um dia, e como hoje não mais.
Já do Lacerda, pensei em escrever sobre dependência, insegurança, solidão... Apreciei a cidade Baixa... Olhava em direção aos Mares, Bonfim... Mas ao diminuir o Zoom, logo abaixo do Lacerda, a cena era de um morador acendendo o "soma" do dia. Cada um abstrai como pode, e se meu "soma" era o espetáculo que me fazia esperar sozinha, a vagar, por mais de uma hora por aquelas ruas, o dele era imediato, e precisara apenas de fogo... A observação foi interrompida pelo susto de uma estranha ao suspeitar de um assalto, que em minutos seguintes, contava sobre visita à França, e sensação de insegurança ser cada vez mais comum na capital baiana. Eu, escutava...
Despedidas, retorno ao teatro. 
A dose foi de drama, muito forte por sinal... Situação vivida por um garoto na União Soviética na década de 90. Dali, daquela cadeira, sentia como se os holofotes estivessem em mim. Desnudada, conseguia visualizar tudo que fora encenado, vivenciado nas ruas em que passei instantes antes. Vi a União Soviética numa escala Brasil-Nordeste-Bahia-Salvador-Cidade Alta-Pelourinho-Vielas. Quis escrever sobre isso. Quis mais ainda após bate-papo com o ator ao terminar o espetáculo...Marcar em papel as intertextualidades com o que visualizava ali, parecia necessidade. Um dedo de prosa com mais dois doidos, que como eu, foram assistir um espetáculo sozinhos, rs. Um casal, e ouvir suas impressões me inspiraram ainda mais. A ideia permaneceu. Até que cheguei no Comércio, após descer o Lacerda, e esperar o ônibus que me levaria até o bairro onde moro, meu bairro quase-Br, quase-Suburbio. O ônibus para o bairro-quase, levou mais de 40 min, para passar e já passavam das 22h. Nesse ínterim, não teve como passar despercebido quão cheios desciam os ônibus. E os mais lotados, eram os que mais tinham passageiros para entrar. Os que seguiam para o subúrbio, diga-se de passagem. Num dele, um amigo muito querido, sentado na ultima cadeira do ônibus. Não me viu no ponto de ônibus. Estava sob efeito do seu soma: Um Smartphone. E os ônibus passavam cada vez mais sortidos. Em um deles, todos os passageiros sentados na ultima fileira dormiam. Em outro, as pessoas pareciam fundidas de tão próximas umas às outras. Estranhos, desconhecidos. Agora, o próximo mais próximo: um passageiro a mais. Sei lá... As vezes parece que dentro do ônibus coletivo a identidade é perdida... (Pano para manga, Azeite para o acarajé, Pizza para o Senado...). Enfim, isso me surgiu como tema também e as ideias começaram a ebulir. Até que, o coletivo para o "bairro-quase" também chegou. Entrei, me acomodei, em pé, claro. E ali, fui mais uma... 
Em casa, cansada, preocupada com o desejo de ligar não materializado, com a chamada que não houve no celular e com o que podia ter acontecido do ladelá... Que parte escrever? Sobre o que publicar? Nem tico, nem teco. Nem Dodô, nem Osmar. Nem acarajé, nem abará. Nem Tom, nem Vini. Não quis a dose do soma. Não queria olvidar, a ponto de perder as lembranças e fortes impressões. Só tinha um jeito de internalizar: Peguei uma porção de cada pensamento, botei no liquidificador (sim, porque baiano bota). Acrescentei colheres leves de crítica (em excesso poderia tirar-me o sono). Bati. Virei no copo. Engoli.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Peso


Pesam os desejos, as dores e dedos que agora escrevem
Pesam os braços no momento do abraço, pesa a língua, pesa a dor... as metades...
Peso, penso, me penso, te penso
Nos peso...
Que peso