terça-feira, 18 de novembro de 2014

Frio...


Quisera eu que apenas frialdade fosse
Assim um tinto, um têxtil ou esforço físico me bastaria.

Mas há algo além da cútis:
Essa frieza

Frieza que nos faz ignorar o igual
E numa infernalidade superior
Não ajudar - seria o ideal?

Frieza que concebe o mau trato
De fato,
Tira a leveza do ato

Se frialdade fosse, não transcenderia essa carne tão efêmera
Mas não é ela apenas.

Hoje,
Me bastaria o que traz contigo para me aquecer a alma
O perfume e tecido de sua pele
E o que ela guarda

Aí sim,
Me aqueceria por dentro e por fora
Do intocável ao corpo
Entre vinhos e cafés,
regalo.

E só.
Só pra começar...

domingo, 26 de outubro de 2014

Me, ao mar


Amanha vou lançar
Lançar me ao mar
Sem papel, pompa ou hora marcada

Sem aval, sim ou nao
Sem biquini, inclusive

Vestida de vontade, acho que basta.
Nem companhia se faz precisa.

Que o mar me baste

Amanhã será assim,
Sem selfie,
Sem marquinhas,
Sem clichês
Sem porquês.

Amanhã vou lançar!

Me, ao mar...

sábado, 18 de outubro de 2014

Conceitos...

Engraçado(se não trágico) como as formalidades vão gotejando em concepções que temos e, ao percebermos (se é que percebemos) já somos água alterada. Às vezes, somos o meio alterado quando deveríamos ser a base que neutraliza. Tá, a linha é tênue... (bem clichê isso). E loucura mesmo (tipo alotropia), é quando você esbarra com certos conceitos e assimila com o que você viveu, se dispondo a classificar  as situações até então vividas.
Depois que associei os conceitos de hino, sofrimento, bullying, eleição, opressão, condicionamento e tempo, por exemplo, diagnostiquei que em meu período de infância me fosse perguntado o que significavam seria supimpa. Sem "dois alto", no duro e sem confete seria:

Bullying: Ficar de castigo final de semana e ouvir o grito de todo mundo pondo a rua abaixo de tanta algazarra, inclusive a irmã mais nova (naturalmente pirracenta) que detalharia os lances depois.

Eleição: Escolher quem seria a líder da turma da sua rua.

Impeachment: Dizer a amiga tirada a chefa que ninguém tava curtindo as mandonices e avisar que ela não tinha mais amiga lá na rua, porque após uma resolução "ficamos de mal". Sim, todas. (Isso não passava de dois dias)

Otimizar o tempo: Conseguir pular elástico (Onoum) o máximo de tempo no intervalo da escola, e dar conta das atividades no quarto e quinto horários. 

Honra: Ser a primeira escolhida no time do baleado. (Para quem nunca foi, é mais ou menos a sensação de passar no vestibular duma universidade pública). Os campeonatos eram muito massa!

Opressão: 
-Mainha já vou, viu?
-Ia pra onde, minha filha? Lembra daquele dia que eu te disse que por causa daquela resposta você não ia? Pode se desarrumar.
(Dá uma angústia só de lembrar)

Condicionamento: Só vai se sua irmã for!

Hino: Mandei meu cavaco chorar.

Esses são alguns que eu tenho certeza... No mais, ainda estou percebendo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Direitos e indecências


Você conhece, se identifica, se interessa, gosta, passa a amar...
Um dia, você percebe qua as coisas não são como eram antes.
Muda. Mas você permanece muda. E não tira aquela muda de erva daninha.
Outro dia, um deslize. 
Você tem consciencia de que vacilou.
Crucificada por isso? Não. Quem pode fazê-lo? 

Algumas coisas, porém, me dão "jinge" como diria o bom nordestino. Seu excesso de bajulação, seus verbos glicosados por demais, seu sumiço explica muita coisa. E sua verdade? Ahhh... Que verdade mais descarada! "Você diz a verdade, e a verdade é seu dom de iludir"... risos. 

Você tem o direito se apaixonar mais uma vez? Claro. Tem livre arbítrio para tentar com outra pessoa. As cartas estão na sua mão e você as joga quando bem entender, com as estratégias que quiser. Mas, quando se joga em dupla, o mínimo que se espera é decência. E eu, sinceramente, não sei se posso contar com você para completar minha canastra, sequer imagino que cartas devo guardar para encaixar no seu jogo. Até porque seus "olhos de Capitú" confundem o adversário e o pseudoparceiro, nesta rodada, eu. 

Meu doce, mudar o parceiro do jogo também é jogo. Mas não avisá-lo é no mínimo indecente. Relacionamentos terminam por aí: em hoteis, no corredor da Universidade, no Bar de Bira, na Gamboa, debaixo da ponte, em mesas de jogo. Soldado morto? Farda em outro. Mas por favor, me poupe  deste antimodelo leviano e egoísta de enganar, de querer fazer e acontecer privando "os seus", de jogar em duas mesas e achar que o outro deve ficar a espera do seu retorno para o jogo continuar...
Ahhh... por favor! Esperei no mínimo, um "não quero mais".

Para deixar claro:
Não te condeno por gostar de outro, só te repugno pela sua indecência de tentar enganar quem tanto lhe valorizou.
Abro mão do jogo. Não quero terminar a rodada. Pago a mão.
(Tem mudas que crescem...)



"Não há no mundo lei que possa condenar alguém que um outro alguém deixou de amar..."

Ah sim! Deixei o recado aqui no Bar de Bira.
Não me procure.
Já apaguei seus contatos.

Enojadamente,
Marcelo.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

Eterno amante...



"Era algo que fazíamos juntos, virou marca nossa, sabe? Desde que terminamos nos último ano, deixou de ser um "hobbies". Não saio mais por aí para caçar arrebois."  

-Achei isso nos meus escritos após um ano de término com o Marcelo. Ou melhor, que ele terminara comigo.

"Ainda não consigo passar pelo Santo Antônio, MAM, Shopping Liberdade sem nó na garganta. Na verdade evito esses espaços". - Este foi um desabafo de um ano e meio.


-Ah! Achei um rascunho de apresentação que fiz num grupo escolar: 
"Suzana: Amante do por do sol, mas não tão romântica assim..." 


Esse foi meu estopim: Redescobri um amante. E não é que nunca me abandonou? Estava a me esperar todas as tardes soteropolitanas vadias. Daí veio a frase após os dois anos do finado namoro a la Marcela Bellas: "Você não vale o trabalho do Sol se por no céu de Salvador".

-E hoje? Quanto tempo tem que tudo teve fim?

-Numa boa? Perdi as contas (risos). Me encontro mais e revitalizo a cada arrebol. Estou uma exímia caçadora deles, e redescubro pontos escondidos que me propiciam capturar encaixes genias do Sol nas nuvens-coxas até cair no Mar... e faz-se vida! Reaprendi que meus recomeços são incontáveis. E por isso fiz questão de que viessem aqui no Humaitá. Agora silenciemos... 17h48. Estamos diante de mais um recomeço...

sábado, 6 de setembro de 2014

Recíprocos

Nem sempre é um afastamento imediato e radical. Apenas uma maneira sutil de ser recíproco.
Mas tem reciprocidade que dói, né?
Tudo bem, eu entendo...

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A arte de parir.

Pari. 
Sim, eu pari.
Acabei de parir. 
Da gestação de aproximadamente quatro meses, me resulta um filho nos braços: um ensaio.
E meu filho nasceu grande e bem alimentado. Só não sei dizer se isso foi bom e até que ponto.
E quer saber? Que dor, cara! 
Doeu, como todo parto dói, pois parto ainda que não seja natural, dói depois. A ansiedade para ver a cara do seu filho, a angústia de não saber se vai acontecer tudo bem, abraçada com a expectativa da agonia passar logo. Chamo de dor.
Enfim, escrevi sobre "a escrita de si" nos blogs. Inicialmente, com os blogs Fulorescer , de Flor de Azeviche e Ossos do Ofídio, de Marcelino Freire. Este último, me serviu de fonte para o título deste texto. Vi em seu blog duas postagens que tinham por nome "A arte do ator" e "A arte do diretor", nos quais percebe- se uma ligação muito forte da linguagem do "eu" que Marcelino apresenta. Enfim, pensei: "Mas como pári charmoso esse Marcelino, viu? Parece que vai parir sorrindo, fazendo "selfie"." 
 Juntando tudo como o momento de produção textual que vivi, inicialmente obrigatório e no final, muito prazeroso (prazer, com dor, ressalto. Escrever, dói), surgiu o título: A arte de parir. 
A palavra que falta, o trançar das pensamentos, a viagem que a mente faz além-Pasárgada e o escambal são estímulos imprescindíveis para o seu filho seja feito com tesão. E quando parece que você vai parar no meio do caminho, e não tem mais força, em meio a todo cansaço você continua. Ah... Você descobre que existem formas diversas e jeitos de conceber um filho, e tem aquele que é só seu (o jeito, porque filho não é só seu nunca, por mais que seja o seu desejo). 
E nessa loucura de ir e devir, o filho vai tomando forma. 
Eu, já esgotada, placenta madura, dilatada, precisando daquele impulso final, que é anúncio de final de parto, e começo de todo trabalho que filho pode dar, (afinal, filho no mundo: exposto a tudo e filho criado, trabalho dobrado), suspiro. 
Enfim, nasceu.
A lista dos pais do meu filho é imensa, levo comigo sementes duma próspera lista que abrange de Foucault a Paula Sibilia.
Iraci Rocha, com tanta  solicitude e orientação (umas acatadas, outras nem tanto) não sei ainda se chamo de madrinha ou avó da minha criança. 
A vocês, leitores, um breve de agradecimento e ressalva de que a falta de tempo tem me privado um pouco de passear com tanta frequência por aqui. 
Quanto ao meu filho, uma dia mostra para vocês. Menino novo. molinho não é para ser mostrado por aí, assim, à toa. 
No mais, me retiro. Vou repousar. Até porque estou parida. E parir, além de doer, cansa.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

E por falar em vontade...


Santo Antônio Além do Carmo.
Fonte: http://poptudo.com/wp-content/uploads/2013/10/Forte-Santo-Ant%C3%B4nio-Al%C3%A9m-do-Carmo.jpg