sexta-feira, 9 de março de 2012

Mais amado será


Algo assim meio que irmão, amante, amigo
Esse sentir que vinha a pouco florescendo
Seria certo ver fugi-lo e ir sem volta
Ver tal sentir pouco a pouco ir morrendo?

Se a vontade não era de beijá-lo
Mas de saber que existia o seu carinho
Por que doía tão moído seu lamento
E assustava a ideia de te ver sozinho?

Ah! Lhe desejo uma linda companheira
Que saiba dar-lhe o amor que eu não soube
Amaria dentre noticias suas saber
Que encontrara um abraço que lhe coube

Não me refiro a uma qualquer numa farra
Que o deixe cansado de prazer
Mas de alguém que sua nobreza reconheça
Que bom afago saiba dar e receber

Não precisa ser a mais bela das belas
Nem ter olhos tão brilhantes quanto o sol
Basta que zele por você e pelos seus
E reconheça a beleza do arrebol


Erit dilexit


Preto que passa


Por que Preto, és tão lindo?
Se há tanto homem de beleza desprovido
Para que tanta maravilha em um só sorriso?

Sorte de quem tem o seu carinho
Da mortal que por ti é amada
Da feliz que tem seu abraço
Da moça que por ti é notada

Contemplo seu olhar, sua ginga
E a melanina acentuada tão perfeita
Que seu andar em minha calçada passe sempre
Que ladrilhada para você ela sempre esteja.

terça-feira, 6 de março de 2012

Papo de farinha


-E dai? Sou mais eu, farinha Amarela. Coradinha.
-Hahaha! E eu, Branca, mais saborosa. Nem adianta querer ataiar.
-Na farofa de azeite eu fico melhor. Sem deixar duvida pra cumadre num aperrear, visse?
-Na farofa de manteiga, eu não diria o mesmo. Sem querer te mangar.
-Observe o nível do saco em que estou, observe de quem os clientes tiram mais punhado.
-Mesmo nível que eu. Por que?
- Oush... É o mesmo... Então somos vendidas na mesma proporção?
- É o que parece. Há quem te prefira, quem prefira a mim, e no fim das contas tem farinha e cliente pra todo mundo. Sem mais zuada.
- Então somos farinhas do mesmo saco?
- Mesmo saco não, mas da mesma euforbiácea.

Enquanto isso, fora dos sacos, entre os homo sapiens:

- Sá menina, me consegue um 1 kg de farinha branca, por favor?
- Minha nega, não esquece que hoje é comida baiana. Pede também 1 kg da amarela pra farofa de azeite.

Fetiche


Não adiantaria apalpá-lo quando a imagem que de ti construi nunca sairiam do mundo das idéias. Talvez esse alguém que passei acreditar nunca tenha existido, e seu rosto tenha sido apenas uma tentativa de materializar esse alguém que imaginei conhecer atribuindo ao seu físico. Não, não digo que seja superficial. Apenas reconheço que a distancia entre suas teorias(lindas. Parabens, viu?) e sua prática chama-se realidade, e nesse momento é nela que me situo. Só isso,

SIM, não, TaLvEz.

Sim, amigo jardineiro.

Sim, porque no meu jardim te cabe.
Enquanto o Sol arde, podemos brincar.
Sim, porque você me gosta
E se te gosto eu, podemos conversar.

Não? Só porque não querem que você se aproxime para cativar*?
Não? Porque não é menina e de alguma forma, mal cê me fará?

TaLvEz porque te amo tanto que o amor o "não" em "SIM" tranformará.
TaLvEz porque eu ligue pouco para o que te dizem e o que vão pensar
TaLvEz porque te quero, amigo; e assuntos sempre para mim terá.

Sim porque tenho mudas que em sua companhia hei de plantar
Sim porque sei que comigo a linda gardênia você quer regar
Sim porque o Sol sempre arde,
Quando não aqui, em outro lugar.




* Cativar não seria o vocábulo original desse trecho, mas foi escrito duma forma tão apressada que nem mesmo eu consegui reconhecer depois. Na falta de quem decifrasse, a incognita foi substituida por "cativar". Se um dia conseguir decifrá-la, farei uma nova nota.

Talvez valha a pena



Marcelinho nunca se questionava. Achava tão mais prático atribuir culpa aos seus, que não se dava o trabalho de puxar perguntas para si. Se perdia o horário para algum compromisso a culpa era do sono, do ônibus que não chegou no horário, da mãe do motorista que passou mal e fez com que o mesmo se atrasasse, da barata que voou na mãe do motorista, menos dele.
Um dia, aceitou de um amigo o desafio de questionar a si mesmo por uma semana e anotar o resultado de tal experiência.
No primeiro dia, encarou o desafio como insignificante; no segundo, percebeu que não seria tão fácil como imaginou. Por fim, no último dia, ao analisar suas respostas, caiu em si de que era um Marcelo diferente e não gostaria de ser (nem conseguiria) como o anterior.
O garoto percebeu que antes estava condicionado àquela forma anterior de encara as coisas; que perguntas retóricas podem causar incômodo, e muitas vezes dor, quando não se quer enxergar as respostas. Notou que acara as perguntas difíceis por medo das respostas; medo de saber que tais poderiam mexer muito no “seu mundinho”.
Marcelo não mudou porque disseram a ele: “Não pode ser assim, mocinho. Você tem que crescer, você tem que mudar, você tem que...” Marcelo cresceu por perceber em que aspectos poderia ser melhor. Talvez você não tenha feito uma aposta como Marcelo, mas sempre que quiser pode questionar-se por atitudes, vícios e condicionamentos seus. Talvez não tome nota de mudanças suas em papel, mas o retorno de tal reflexão certamente valerá mais do que qualquer registro em cartório. Talvez não tenha dito a si mesmo: “vou mudar”, mas perceba pontos em que mudou, ficou “menos você”, mas uma pessoa melhor.
Talvez valha a pena...

sábado, 3 de março de 2012

"Não se minta"



"É preciso assumir antes para você mesmo suas fraquezas, para ter força de lutar contra elas. Negar a existência delas, por autoconfiança, pode fazê-lo ignorar o efeito causado em você, quando todos ao seu redor já notaram. E aí está a pior das mentiras: Para si mesmo. E aí está uma das situações mais embaraçosas: Todo mundo perceber."

J.P.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Peciso te escutar...




-Mas vou parar de te encher o saco com essa maluquices, essas histórias que já deve estar cansado de ouvir sem ter obrigação nenhuma.

-Não canso de te ouvir (risos).

-Mesmo assim, tem coisas que cansam e não quero cansar você. Pronto! Não toco mais no assunto e ponto final.

-Estamos aqui, hoje, em vida, por vários motivos. Algumas coisas quando fazemos temos a sensação que que aquilo nos faz mais nós, e precisamos fazer aquilo para nos sentirmos bem. E eu, irmãzinha, preciso te escutar. Guardar para você não vai aumentar, nem diminuir a intensidade dos seus problemas. Mas se me contar, se por para fora, pode se sentir aliviada, e eu tentarei te ajudar como posso. Me conta sempre, tá? Faz isso por mim. Porque preciso te escutar. Acho que é um dos motivos de eu estar aqui, hoje, em vida. Não faço questão que me ligue ou mande mensagem todos os dias.  Nem que levemos quinze dias para conversarmos novamente, só faço questão de ser útil para você. Me olha nos olhos e diz o que tá sentindo. Só isso. As vezes queria ser seu irmão mais velho, sabia? Pra cuidar mais de você. O bom de sermos irmãos assim é que por não morarmos na mesma casa, não brigamos(risos).

-Seu besta. Mas você já é. É o irmãozinho que Jah me deixou escolher. Me sinto a vontade para chorar com você. Te amo, amigo.

-Eu sei. Também te amo demais.

-Obrigada por tudo. Obrigada por me escutar.

-Obrigado por tudo. Obrigado por confiar em mim.




E há quem diga não haver amizade sincera entre pessoas dos sexo oposto sem um segundo interesse. Pobre de quem não consegue(ou não se permite) cultivar uma amizade assim.